Coluna Nas asas da sustentabilidade

Do desperdício à fome

28/11/2017 | Nas asas da sustentabilidade - Evandro Valentim

Do desperdício à fome: um paradoxo

Do desperdício à fome é um breve parecer que busca inquietar o egocentrismo daqueles que focam somente em sua própria mesa.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de um terço de toda a comida produzida no mundo é desperdiçada. O paradoxo, pasmem, é que essa quantidade seria suficiente para alimentar todas as pessoas que passam fome no Planeta.

Difícil não se incomodar com 1,3 bilhão de toneladas de alimentos  sendo desperdiçadas anualmente, e ao mesmo tempo, tantas pessoas padecendo desse mal. Se de um lado, o número de habitantes da Terra não para de crescer, de outro, diversas nações enfrentam crises econômicas, que afetam a produção de alimentos.

Desse modo, eliminar ou, no mínimo, atenuar perdas e desperdícios alimentares se torna imperativo ético no sentido de combater ou até mesmo erradicar a fome. Contudo, ainda que tenha papel decisivo na criação e execução de políticas públicas de combate ao desperdício, não é responsabilidade exclusiva do governo agir. Cada um de nós pode contribuir nesse sentido.

Cenário brasileiro para perdas e desperdícios

No Brasil, as perdas e desperdícios de “hortifruti” ocorrem em quaisquer das fases (ABRANTES, 2005): colheita: 10%; transporte e armazenamento: 30%; comércio: 50%; e em nossos lares, no consumo final, outros 10%.

É grave e complexa essa situação. Soluções existem? Claro que sim. Podemos iniciar em nossos lares. Avalie essas seis sugestões:

1) compre o que realmente é preciso, não o que deseja. Além de prevenir desperdícios, ajuda a reduzir os gastos.

2) antes de partir para as compras, esvazie sua geladeira, reinvente pratos com as sobras. É possível surpreender positivamente os paladares mais exigentes.

3) Potes transparentes e de vidro são os melhores para acondicionar sobras de alimentos. Eles permitem ver o que há dentro e desafiam constantemente sua imaginação a combinar, a aproveitar seus conteúdos. É como se dissessem: “estamos aqui, ó”.

4) Primeiro a entrar, primeiro a sair. Atenção à validade dos produtos. Abra-os e os consuma de acordo com a data de validade mais próxima do tempo presente.

5) Sopas e sucos. Antes que fiquem impróprios ao consumo, aproveite frutas e verduras para sucos e sopas. Refeições leves, nutritivas e, portanto, saudáveis.

6) A última, mas não menos importante é: se você acha que não consumirá o produto, qualquer que seja a razão, doe-o.

Cada um de nós pode contribuir, evitando perdas e desperdícios a partir de nossos lares. E de lá para o mundo. Que tal?

 

Desperdício. Fonte: Almomento http://almomento.mx/proponen-ley-prevenir-desperdicio-alimentos/

Evandro Valentim

Evandro Valentim

Brasiliense; casado, pai e avô; mestre em gestão do conhecimento; especialista em gestão de RH; administrador; e escritor. Publicou Aventura no cerrado (Assis, 2017); Aventura na floresta: bichos e lendas daqui e dacolá (Assis, 2016); “Cliques narrativos: um romance em crônicas” (Assis, 2014); e “Causos de RH: o livro” (Livre Expressão, 2011). Aprendiz sênior em temas ambientais.

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