Coluna Nas asas da sustentabilidade

O Cerrado brasiliense de ontem e hoje

08/08/2017 | Nas asas da sustentabilidade - Evandro Valentim

É de pequenino que se ensina o pepino. A mudança do ditado popular que sugere “torcer o pepino” será explicada adiante. Por ora, divulga-se a recuperação de uma área antes degradada. Brasília, quando em construção, exigiu a retirada de boa parte da flora original, resultando na perda significativa de vegetação nativa, o Cerrado. Uma das áreas degradadas fica próxima à RFFSA (Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima). Lá, além da vegetação e da fauna que nela habitava, foi retirada enorme quantidade de terra, para terraplanagem, quando o relevo assim demandava. 52 anos depois, três instituições públicas se uniram, em convênio, e iniciaram a recuperação do espaço.

O Exército brasileiro é o guardião da área. Protege-a e coíbe invasões. A Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal) forneceu adubo orgânico proveniente de lodo de esgoto, transformando o que seria problema ambiental em fertilizante do solo. A Terracap (Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal), que forneceu a terra proveniente de um de seus empreendimentos imobiliários, concedeu as mais de trezentas mil mudas nativas do Cerrado, bem como o monitoramento dessas por dois anos desde o plantio.

Hoje, as instituições conveniadas utilizam a área para uma prática educacional denominada Trilha Interpretativa. Por ela caminham estudantes do 5.º ano escolar em passeios, que passam por cinco distintos cenários: 1) vegetação intocada; 2) área degradada, sem plantas; 3) área com árvores de até dois anos; 4) área com árvores de três a quatro anos; e 5) área de vegetação consolidada, ou seja, já recuperada.

O trabalho apresenta excelente resultado. E, não raro, no percurso da trilha, encontram-se rastros de mamíferos de grande porte, como a anta, além de muitas espécies de aves.

Brasília-Zero

O cerrado de ontem. / Fonte: Arquivo Público do Distrito Federal, 30/09/1958.

Redações narram sobre Cerrado e o equilíbrio ambiental

Quando a escola é convidada para o passeio, se estabelece um ‘combinado’: em reciprocidade, os alunos precisam elaborar redação e/ou ilustração, que retrate a experiência na trilha interpretativa.

As devolutivas das crianças têm surpreendido. Belos desenhos de caliandras, barrigudas, vassouras-de-bruxa, aroeiras, lagartas de fogo, borboletas… As redações demonstram admiração do público alvo pela riqueza do Cerrado e do quanto o bioma é importante para o equilíbrio ambiental.

O projeto oferta visitas quinzenais, entrega certificados e singelas premiações aos autores das redações e desenhos. Uma vez mais, o Cerrado e a Literatura promovem educação ambiental. E os pepinos? Uma metáfora para crianças, que ignoravam a vegetação nativa do DF, mas levam consigo a vontade de proteger e preservar esse importante bioma.

Evandro Valentim

Evandro Valentim

Brasiliense; casado, pai e avô; mestre em gestão do conhecimento; especialista em gestão de RH; administrador; e escritor. Publicou Aventura no cerrado (Assis, 2017); Aventura na floresta: bichos e lendas daqui e dacolá (Assis, 2016); “Cliques narrativos: um romance em crônicas” (Assis, 2014); e “Causos de RH: o livro” (Livre Expressão, 2011). Aprendiz sênior em temas ambientais.

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