Coluna Nas asas da sustentabilidade

Lixo em tempos modernos. Algo vai na contramão.

05/07/2017 | Nas asas da sustentabilidade - Evandro Valentim

“Lixo” nosso de cada dia

O que fazer com o lixo, em tempos modernos?

Reciclagem do lixo

Reciclagem

Trivial encontrarmos embalagens descartadas indevidamente, ainda que a pouca distância haja uma lixeira.  Talvez os que assim se comportam não conheçam as possibilidades da reciclagem.

Nesse sentido, julgo oportuno descrever a visita técnica a uma cooperativa de catadores da qual participei, dias atrás. Logo na chegada, deparei-me com fardos de garrafas plásticas que haviam sido prensadas e amarradas, estando prontas para retornar ao processo produtivo. Segundo explicações, constituem matéria prima para fabricação de rodapés, portais e molduras. Instantaneamente, lembrei-me de reportagens mostrando garrafas plásticas boiando em lagos, rios e/ou mares. Poluição e desperdício. Alguns passos adiante, havia um grande recipiente com restos de eletrônicos: de pilha a peças de micro-ondas.

Alguns desconhecem, mas o descarte inadequado desse material pode contaminar lençóis freáticos, pois trazem em suas composições substâncias tóxicas, como cádmio, mercúrio, chumbo…

Adentrando à edificação da cooperativa, lembrei-me de “Tempos modernos”, do Chaplin. Em uma plataforma elevada, via-se uma grande esteira em funcionamento, com homens e mulheres enfileirados a separar materiais por tipo: metal, papel, papelão, garrafas plásticas transparentes e coloridas, copos descartáveis de polipropileno, poliestireno ou isopor. São os cooperados, que ora laboram coletando materiais nas ruas, ora labutam na própria cooperativa. Ao final da esteira, o material que não se enquadrou nos tipos pré-definidos, apenas esses, seguem para o aterro sanitário. A cooperativa ainda reaproveita a água que consome para suas máquinas, o que ajuda o meio ambiente e reduz os custos operacionais. Como se não bastasse, a instituição oferece cursos de serigrafia e corte e costura à população próxima.

Mas não devemos nos iludir, as cooperativas e seus cooperados também sofrem os efeitos da crise. Não há recursos financeiros suficientes para investir em equipamentos que aumentariam o processamento de recicláveis e, consequentemente, seus ganhos. Muitas cooperativas, inclusive, se encontram em perigosa situação, prestes a fecharem as portas. E notem: o Brasil é o quarto maior gerador de lixo do mundo. Na contramão desse dado, algo em torno de apenas 3% disso se recicla, já considerando ser nosso País o maior reaproveitador de latinhas de alumínio do planeta. Coisas do Brasil, tão amado por uns, mas tão vilipendiado por outros.

Convém fazermos nossa parte, a começar por jogar o lixo nos lugares devidos, separando-o: seco e orgânico, por exemplo. Simples assim.

Evandro Valentim

Evandro Valentim

Brasiliense; casado, pai e avô; mestre em gestão do conhecimento; especialista em gestão de RH; administrador; e escritor. Publicou Aventura no cerrado (Assis, 2017); Aventura na floresta: bichos e lendas daqui e dacolá (Assis, 2016); “Cliques narrativos: um romance em crônicas” (Assis, 2014); e “Causos de RH: o livro” (Livre Expressão, 2011). Aprendiz sênior em temas ambientais.

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