Coluna Nas asas da sustentabilidade

Desenvolvimento sustentável: utopia?

24/08/2017 | Nas asas da sustentabilidade - Evandro Valentim

Desenvolvimento sustentável: utopia?

Encontra-se de certa forma pacificado um conceito para o termo desenvolvimento sustentável, forjado pela primeira vez, em 1987, por Gro Harlem Brundtland, ex-primeira-ministra da Noruega, assim descrito: “suprir as necessidades do presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprirem as próprias necessidades”. Utopia?

Recentes leituras sobre questões relacionadas a esse contexto me inquietaram, e as utilizo como inspiração para a Coluna desta semana.

Inicialmente, compartilho informações de uma matéria na edição de agosto/2017, da revista Xapuri, que relata o trabalho orquestrado pelo professor de física Leonardo Cruvinel, com alunos do 3º ano, do Centro de Ensino Médio 111 do Recanto das Emas, escola pública de Brasília. O produto gerado é o protótipo de um “monjolo com seis mãos de pilão movido a roda d’água”, que se propõe a utilizar “energia limpa, barata e renovável para processar alimentos em agricultura familiar”.

O projeto foi tão exitoso que ganhou o “Prêmio Respostas para o Amanhã/2016”, apoiado, entre outros, pela Unesco. O professor e os alunos foram convidados para apresenta-lo em Portugal, em agosto/2017, mas não conseguiram ir por falta de patrocínio.

“Quando eu crescer…”

A segunda inspiração para a coluna veio do trecho da redação de Gabriel Almeida, estudante do 4.º ano da Escola Classe do Setor Militar Urbano, também escola pública de Brasília. O Gabriel, ao conhecer os perigos enfrentados pelo cerrado, assim se expressou: “Quando eu crescer vou construir uma cidade flutuante para ninguém desmatar o cerrado”.

Imaginemos, em um exercício de futurologia, que o Gabriel se dedique obsessivamente à construção do protótipo da cidade flutuante, a fim de evitar desmatamentos, não só do cerrado, mas de todos os biomas ameaçados, uma vez que o perigo da extinção não é “privilégio” só do cerrado.

Não há garantia de que a utopia do Gabriel, materializada em um protótipo elogiado e aplaudido em uma feira de ciência, receba incentivo do governo em nosso País, que tão pouco valoriza tais iniciativas. Se a ideia ao mesmo tempo simples, genial e premiada de um monjolo, bem mais fácil de reproduzir não obteve sequer apoio governamental para ser apresentada em um evento no exterior, capaz, quem sabe de conseguir o desejado patrocínio de empreendedores estrangeiros, o que esperar da utopia do Gabriel?

Há que se ter um estoque infindável de entusiasmo para nos dedicarmos à sustentabilidade. Que a teimosia esteja sempre conosco.

Desenvolvimento sustentável: utopia?

Cidade flutuante propõe nova forma de civilização em alto mar. / Fonte: Revista Época.

Evandro Valentim

Evandro Valentim

Brasiliense; casado, pai e avô; mestre em gestão do conhecimento; especialista em gestão de RH; administrador; e escritor. Publicou Aventura no cerrado (Assis, 2017); Aventura na floresta: bichos e lendas daqui e dacolá (Assis, 2016); “Cliques narrativos: um romance em crônicas” (Assis, 2014); e “Causos de RH: o livro” (Livre Expressão, 2011). Aprendiz sênior em temas ambientais.

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