Coluna Nas asas da sustentabilidade
Sustentabilidade e moda precisam se aproximar mais
Sustentabilidade e moda precisam se aproximar mais
Questionaram-me: “Podemos pensar em sustentabilidade na moda”? Respondi: “Sem dúvida”. Sustentabilidade deve estar presente em todos os negócios, atitudes e comportamentos. Afinal, em um planeta sem água potável e com lixões rodeando as cidades, quem vai se importar com a grife do vestuário?
Para conhecer um pouco mais, aprofundei-me em textos interessantes, dos quais compartilho alguns retalhos.
Descobri que há significativa diferença entre vestuário e moda. Vestuário é algo concreto, palpável; a moda, ao contrário, é subjetiva e intangível. Para mim, cujo vestuário se constitui, praticamente, de calças jeans, camisetas de malha e tênis, há certa dificuldade em discorrer sobre a subjetividade da moda. Porém, a partir do prisma da sustentabilidade eu me atrevo.
O conceito de “produto sustentável” se apoia no tripé ecologia, sociedade e economia. Exemplo: uma peça de roupa de ótima qualidade, produzida com baixo custo, com o mínimo de dano ambiental (embora sempre haja dano), mas com trabalho escravo, não será sustentável.
Apesar de a indústria da moda ser a terceira atividade econômica na geração de renda e movimentação financeira, de comportar grande efetivo de mão de obra, ela está entre as que mais geram lixo, portanto, longe de ser sustentável. Há muito o que fazer para mudar esse cenário.
Fast fashion
É comum encontrar camisetas de malha bem baratas. Propositalmente, qualidade sofrível e pouca durabilidade. “Fast fashion”: prática nada sustentável, geradora de lixo, dado o rápido descarte das peças.
Slow fashion
Em oposição, há o “Slow fashion”: peças de boa qualidade, maior durabilidade e menor impacto ambiental. Essas, inclusive, podem ser recicladas na confecção de novas peças. Mais próximo da sustentabilidade.
Origem da matéria prima
Encontrei argumentos favoráveis à origem da matéria prima para vestuários, seja ela sintética, natural, animal ou híbrida.
Do ponto de vista humanitário, não é fácil obter apoio à produção de calçados, bolsas e cintos, por exemplo, a partir de couro de jacaré, ainda que provenha de criadouros legalmente autorizados. Creio que alguns se recordam das vaias e críticas a uma celebridade hollywoodiana com peça de roupa de origem animal…

Fonte: Estilo Urbano
As fontes de pesquisa que confrontam moda e sustentabilidade trazem questões que demandam olhares mais aprofundados. Em comum, a necessidade de conscientização dos consumidores, que devem pressionar por produtos sustentáveis a preços acessíveis.
Finalizo com a pergunta: em qual das pernas do tripé a indústria da moda tem investido mais: a ecológica, a social ou a econômica?

Evandro Valentim
Brasiliense; casado, pai e avô; mestre em gestão do conhecimento; especialista em gestão de RH; administrador; e escritor. Publicou Aventura no cerrado (Assis, 2017); Aventura na floresta: bichos e lendas daqui e dacolá (Assis, 2016); “Cliques narrativos: um romance em crônicas” (Assis, 2014); e “Causos de RH: o livro” (Livre Expressão, 2011). Aprendiz sênior em temas ambientais.